O que uma investigação em redes sociais pode revelar? Duas histórias da Fenalaw

Em entrevista à Farol, a ASM Investigação conta o que ouviu no estande da Kryptus. A recuperação de crédito dominou as conversas, mas foram advogadas que atuam na proteção de mulheres e crianças que trouxeram à equipe a questão mais marcante da feira.

Quando uma tentativa de cobrança chega à Justiça e o credor não consegue localizar bens, fica uma pergunta difícil de responder. O devedor de fato não tem recursos ou há patrimônio que a busca ainda não alcançou? Segundo a ASM Investigação, essa foi, com folga, a questão que mais mobilizou os profissionais que visitaram o estande da Kryptus na Fenalaw 2026.

Nos três dias da Fenalaw 2026, uma questão voltou a aparecer nas conversas da ASM Investigação com os visitantes do estande da Kryptus. Quando um credor chega à Justiça e não consegue localizar bens para o pagamento de uma dívida, como descobrir se o devedor realmente não tem recursos ou se há patrimônio que as buscas ainda não alcançaram? Em uma feira na qual o escritório apresentou aplicações de inteligência artificial para diferentes tipos de investigação, os visitantes tinham uma prioridade bastante concreta.

“Com larga margem sobre as demais, a demanda predominante foi sem dúvida a recuperação de crédito”, relata a equipe.

Na recuperação de crédito, o interesse dos visitantes estava em identificar publicações que oferecessem pistas sobre bens ou atividades do devedor. Um registro de viagem, por exemplo, pode levar o advogado a investigar uma aparente divergência entre o que a pessoa declara em juízo e o que publica.

A ASM já conhecia a Fenalaw de edições anteriores, quando seus profissionais percorriam a feira como visitantes. Desta vez, o escritório de advocacia especializado em investigações participou de uma palestra e recebeu o público no estande da parceira Kryptus.

A empresa é a desenvolvedora do BladeRunner, plataforma de inteligência artificial voltada à investigação em redes sociais e concebida originalmente para órgãos de inteligência do Estado brasileiro. Pela primeira vez, apresentava a solução em uma feira do setor privado.

O que uma publicação permite descobrir sobre uma dívida?

Quem procura bens para cobrar uma dívida pode chegar ao mesmo resultado por dois caminhos. O devedor pode não ter recursos para pagar ou pode dispor de patrimônio que o credor ainda não conseguiu localizar. Nos três dias da Fenalaw, foi essa dificuldade que levou mais visitantes ao estande da Kryptus, segundo a ASM Investigação.

Entre os exemplos apresentados pelo escritório estava o de bens exibidos em redes sociais. Uma fotografia pode mostrar um veículo, uma embarcação ou uma aeronave com detalhes suficientes para orientar uma consulta. A equipe procura sinais que permitam identificar o bem e confronta essas informações com registros de propriedade.

A distinção importa para quem conduz a cobrança. Uma pessoa pode aparecer ao volante de um carro que pertence a outra. Identificar o modelo ajuda a dirigir a busca. Saber em nome de quem o veículo está registrado exige uma verificação própria.

O interesse pelas redes sociais, na avaliação da ASM, vem da possibilidade de encontrar um elemento que permita avançar nessa distinção ou localizar um bem cuja existência o credor desconhecia. O escritório relatou que os exemplos discutidos durante a feira iam além da execução de dívidas. Um deles envolvia disputas sobre pensão alimentícia nas quais uma das partes alega impossibilidade financeira, enquanto aparecem nas redes registros de viagens e festas.

Outro exemplo do material apresentado na feira parte de uma publicação que indica Budapeste como localização e menciona a Champions na legenda. A equipe descreve como pesquisaria, para o período da viagem, o preço de um ingresso, as diárias de hotel e as passagens entre São Paulo e a capital húngara. O resultado é uma estimativa de custo. Continuam em aberto questões decisivas para uma investigação patrimonial. A viagem ocorreu na data da postagem? Quem comprou a passagem? Quem pagou pela hospedagem? O levantamento de preços dá ao advogado uma referência para examinar o relato, mas deixa essas perguntas para a etapa seguinte da apuração.

Os vínculos que interessam ao compliance

Em uma apuração corporativa, a pergunta pode mudar de “a quem pertence este bem?” para “qual era a relação entre essas pessoas quando a decisão foi tomada?”. Na feira, a ASM discutiu situações que vão da avaliação de um parceiro comercial à verificação de possíveis conflitos de interesses em disputas judiciais e arbitrais.

Um exemplo citado pelo escritório envolve uma testemunha ou um árbitro que declara não ter relação próxima com uma das partes. Uma fotografia em que ambos aparecem pode orientar a apuração. O contexto muda sua interpretação. Dividir o palco de um congresso aberto a centenas de profissionais é diferente de aparecer, ao longo dos anos, em encontros privados da mesma família.

No método apresentado pela ASM, a equipe começa por confirmar a quem pertencem as contas. Em seguida, examina a frequência e a reciprocidade das interações e organiza os registros por data. Documentos e fontes independentes ajudam a verificar a natureza do vínculo.

Para quem investiga um conflito de interesses, a cronologia faz diferença. Se a relação só começou depois da contratação em análise, ela pouco esclarece sobre a escolha do fornecedor. Se já existia, cabe apurar que participação cada pessoa teve naquela decisão.

Quando o objetivo é proteger quem aparece na imagem

A visita que mais marcou a equipe da ASM foi a de advogadas que atuam na proteção de mulheres e crianças expostas na internet. Integrantes de um escritório formado exclusivamente por mulheres, elas levaram ao estande uma dificuldade do trabalho com suas clientes.

Depois de localizar uma foto ou um vídeo de natureza sexual, como acompanhar sua circulação e descobrir que outras contas passaram a divulgar o material?

Para a ASM, acostumada sobretudo à tutela patrimonial e à apuração de ilícitos empresariais, o encontro mudou a perspectiva sobre uma atividade conhecida. Em boa parte das conversas da feira, o propósito era descobrir algo sobre uma pessoa investigada.

As advogadas estavam ali por quem aparecia nas imagens e precisava de ajuda para descobrir até onde elas haviam chegado. A troca também foi além da demonstração do BladeRunner. A equipe indicou aos visitantes outras fontes e ferramentas de investigação reunidas em um guia de acesso público disponível no site da ASM.

A IA nos painéis e a evidência no processo

O fluxo de visitantes teve uma consequência para quem trabalhou no estande. A equipe da ASM não conseguiu assistir a uma palestra inteira durante os três dias. Sua impressão sobre a programação veio, portanto, dos relatos de parceiros e colegas que circularam pelos painéis.

Segundo esses interlocutores, o impacto da inteligência artificial na advocacia apareceu inclusive em mesas cujo tema principal parecia distante da tecnologia. O escritório reconheceu ali um movimento que já havia observado naquele ano na Febraban Tech, evento voltado ao setor financeiro.

Para quem trabalha com investigações, parte dessa discussão começa justamente onde termina a demonstração de uma ferramenta.

Encontrado um registro relevante, alguém precisa decidir o que fazer com ele. É possível recuperar a publicação em seu contexto? Outro profissional conseguiria reconstituir o caminho que levou àquele achado? A interpretação apresentada no relatório corresponde ao que o material permite afirmar?

A ASM identifica nessa passagem da coleta para o uso da informação questões de ética, segurança e qualidade da prova que acompanham a adoção de inteligência artificial por escritórios e empresas.

O ponto ganha especial importância em exemplos como os levados pelos visitantes à feira. Um cruzamento pode aproximar dois perfis, identificar

a recorrência de encontros ou situar uma pessoa em determinado evento. Quando o achado entra em uma disputa, a parte interessada precisa explicar por que ele importa para aquele caso. Na visão da ASM, isso exige métodos lícitos e auditáveis, atenção à integridade do material coletado e diligência do advogado na busca pelos fatos. Como resume a equipe, “O domínio técnico da lei e da jurisprudência precisa caminhar aliado à diligência investigativa do advogado na busca pelo suporte fático da causa.”

O escritório saiu da Fenalaw com convites para debates técnicos e grupos de estudo nos meses seguintes. Saiu também com duas perguntas que dão a medida da diversidade de demandas ouvidas no estande. O advogado de um credor queria saber se uma publicação poderia levá-lo a um patrimônio ainda não localizado. As advogadas que atendem vítimas de exposição precisavam descobrir quem continuava a compartilhar uma imagem. Ambos recorriam à investigação em redes sociais. Para um, a fotografia podia ser a primeira pista de uma apuração. Para as outras, sua circulação era o próprio fato a investigar.

FALE CONOSCO!

Preencha o formulário abaixo que entraremos em contato o quanto antes.

Caso prefira, fale diretamente através do e-mail contato@farolcompliance.com.br

ASSINE GRATUITAMENTE

*Período especial de lançamento

NEWSLETTER

Inscreva-se gratuitamente em nossa Newsletter e receba conteúdo exclusivo diretamente na sua caixa de e-mail!

Não enviaremos spam!

PREENCHA O FORMULÁRIO E TENHA ACESSO GRATUITO